Escrever pode lhe garantir seu emprego e também sua saúde

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São muitos os motivos que podem nos levar a demissão, alguns deles fora de nosso controle, do alcance de nossas mãos. Crise financeira, downsizing, má gestão administrativa só para citar alguns.

E para piorar, a indiferença com que os desligados são tratados, em alguns casos não podendo às vezes nem se despedir dos colegas (não entrando aqui no mérito da questão de exagero ou não nesse procedimento, já que cada caso é um caso) reforça o sentimento de mágoa, raiva, derrota e frustração, o que não é anormal nas pessoas, dada a situação.

As consequências desses sentimentos amargurados, no dia-a-dia dessas pessoas tende a crescer, alimentado pela ociosidade por ocasião do desemprego. O resultado então pode ser muito desastroso quando essa pessoa se vê diante de um entrevistador concorrendo a uma nova oportunidade de emprego: quando questionado sobre a última experiência, pode explodir, num desabafo descontrolado, aflorando toda aquela situação como se naquele momento estivesse revivendo tudo novamente.

E essa explosão acaba pondo tudo a perder, deixando a impressão ao entrevistador, de descontrole, fracasso, negativismo, enfim, tudo o que ele não quer de um novo funcionário. E assim acumula-se mais uma derrota na vida desse profissional, que pode contribuir mais um pouco para um quadro depressivo, almentando um ciclo nada saudável.

E nós, homens, então, aí é que a coisa complica mais ainda. em nossa auto-suficiência, sempre querendo dar a impressão de que tudo está sob controle, evitamos compartilhar, expor nossos sentimentos.

Daí a importância de desabafar, abrir o coração, nem que seja apenas escrevendo sobre nossos sentimentos, como sugere o psicólogo americano James Pennebaker, da Universidade do Texas, autor do livro Abra seu coração. Veja o incrível resultado dos testes que ele realizou com alguns profissionais que passaram por momentos difíceis:

Pennebaker participou de encontros onde foram entrevistados quase cinqüenta homens, a maioria amargurada e hostil diante dos fatos ocorridos e da proposta de escrever sobre o que lhes acontecera. Contudo, a perspectiva de aumentar as possibilidades de encontrar um novo emprego foi o suficiente para que aceitassem a participar do estudo.

Após três meses do estudo realizado, 27% dos participantes do grupo que escreveu conseguiram um novo emprego, enquanto somente 5% das pessoas dos outros dois grupos obtiveram sucesso. Nos meses seguintes, 53% dos “escritores” já estavam empregados, contra somente 18% dos demais grupos.

Divididos em três grupos, os executivos do primeiro grupo foram orientados a escrever por cinco dias consecutivos, durante trinta minutos, sobre os pensamentos e sentimentos mais profundos ligados à perda do emprego. Ao segundo grupo foi solicitado que escrevessem no mesmo período e tempo sobre o que fizeram com seu tempo livre desde então. O terceiro grupo nada escreveu, servindo apenas como parâmetro para as observações.

O resultado foi surpreendente: os executivos que escreveram sobre os fatos traumáticos ligados ao trabalho foram extremamente abertos e honestos em suas redações e declararam que se sentiram muito bem imediatamente após a experiência. Os temas desenvolvidos descreviam a “humilhação e o ultraje de perder o emprego… os problemas conjugais, doenças e morte, dinheiro e temores em relação ao futuro”, relata o especialista.

Escrever sobre si mesmo faz nos pensar para poder reestruturar nossas idéias, motivos, argumentos. Nesse processo que consome muita energia do nosso cérebro, faz com que confrontemos nossos problemas, e é nesses momentos de auto-análise forçada pela escrita que fica mais fácil a aceitação de nossos erros e sentimentos, e claro a necessidade de uma mudança.

Portanto fica aí uma boa dica para nós, profissionais de TI que em geral não somos muito fãs de escrever. Escreva sobre si mesmo, sobre outros assuntos que gosta. Seja mantendo um blog na internet, ainda que não precisa ser aberto ao público caso não queira se expor. O mais importante é se conhecer, e está aí uma grande prova do poder da escrita a favor desse auto-conhecimento.

A indicação do artigo (que fortemente recomendo sua leitura) a que pertence o trecho em destaque acima (acesse aqui) vem da colega Danielle Alfredo Oliveira, via LinkedIn, e é de autoria da Cristina Almeida, da VocêS/A.

E você? Já tentou escrever sobre si mesmo, suas motivações e idéias, fracassos e realizações pessoais? Como se tornou sua visão de si mesmo após essa experiência? Se não o fez ainda, faça, não irá se arrepender… 🙂

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