Trabalhando demais remotamente e sem receber por isso…está feliz?

Trabalhar, se sentir útil é muito bom. Mas gostar do que faz e ser um profissional disposto e que veste a camisa da empresa não significa que você deva sempre trabalhar fora do expediente.

Principalmente fora do escritório, onde a forma de controle e pagamento de horas-extras é algo ainda sombrio e imaturo neste mundo tão conectado em que vivemos, é preciso separar as coisas e cobrar o devido valor pelo tempo despendido.

Sim, sabemos bem que este não é um problema somente do pessoal de TI, pois a Tecnologia, invadindo todos os setores da economia, não está deixando escapar quase ninguém dessa situação.

Mas principalmente nós, que respiramos Tecnologia da Informação, temos uma maior vulnerabilidade nesta questão, somando-se o acesso mais fácil que temos a dispositivos e acessos móveis com a falta de mão de obra qualificada. Trabalhamos facilmente por 2, 3 pessoas…

Segundo artigo da Computerworld

Muitos funcionários estão trabalhando até 20 horas adicionais por semana, não remuneradas, como resultado da política BYOD (Bring Your Own Device, ou Traga Seus Próprios Dispositivos) adotadas por suas empresas.

De acordo com o relatório trimestral Mobile Workforce Report, realizado pela iPass, empresa que fornece serviços de mobilidade empresarial e redes global de Wi-Fi, um terço dos trabalhadores móveis da empresa nunca desligam totalmente seus dispositivos durante o seu tempo livre.

A situação é ainda pior quando  se pensa que o sagrado período de férias é muitas vezes interrompido por problemas que deveriam estar bem longe de nosso alcance e ouvidos. Mais números para você:

Os números da iPass, baseados em uma pesquisa com 1,2 mil trabalhadores empresariais móveis em todo o mundo, mostraram que apenas 8% se desconectam completamente do trabalho enquanto estão de férias.

Outro dado curioso foi a felicidade da maioria dos trabalhadores pela flexibilidade por levarem o trabalho para onde forem:

O relatório também mostra que 92% dos trabalhadores móveis “desfrutam de sua flexibilidade no emprego” e são “contentes” em trabalhar mais horas. Na verdade, segundo o relatório, 42% gostariam de uma “maior flexibilidade para as suas práticas de trabalho”.

Ok, os benefícios da acessibilidade tecnológica devem sim trazer mais satisfação a medida em que podemos nos deslocar menos para nossas atividades e realizá-las com mais rapidez, mas e quando essas horas de trabalho adicional beneficiam somente um lado, ou seja, o da empresa? Ou satisfação apenas enche a barriga de alguém? presumo que esse pessoal tenha seu reconhecimento.

Se você se sente injustiçado, trabalhando além da conta, atendendo ligações fora do expediente, levando trabalho para casa, para o momento de lazer, é bom tentar ter uma conversa franca com seus superiores.

Antes disso, prepare-se para a conversa e para trazer soluções e não somente problemas. Entenda primeiro seus problemas antes de entender os de seu chefe. Voce pode começar se perguntando:

  • Por que voce trabalha até tarde e constantemente é acionado fora do expediente? Voce não estaria assumindo carga de trabalho desproporcional por medo de falar não ao chefe?
  • Seria um problema de processo ou planejamento, algo que pudesse ser resolvido com conversas produtivas?
  • Voce teria outra pessoa com quem dividir tarefas críticas que exijam acionamentos fora do expediente? Talvez voce mesmo possa sugerir alguém que tenha um perfil parecido ao seu.

Outra coisa: guarde registro de seu tempo de trabalho fora da empresa, onde é mais difícil controlar depois para ter argumentos na luta por seus direitos.

Enfim, não adianta tanta tecnologia na cabeça se não conseguirmos dominá-la, e dela fazer bom uso para melhorar nossos processos e estratégias de trabalho e maximizar nossa felicidade também em outras esferas de nossa vida.

Cabe a cada um de nós entender seu nível de felicidade e satisfação e buscá-la equilibrando nosso trabalho e vida pessoal.

Agora, se voce é feliz ficando disponível 24  horas por dia para sua empresa, quem sou eu para dizer algo contra? Tal qual a pesquisa, existe gosto para tudo…

Os detalhes da pesquisa acima são de publicação da ComputerWorld.

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