Onde estão os verdadeiros líderes de TI?

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Como estão nossa lideranças na área de TI atualmente? Qual o perfil profissional que as empresas estão buscando no mundo pós-crise? O quanto isso mudou em relação a alguns anos atrás? 

A grande maioria de nós teve experiência boa ou ruim com liderança em algum momento na carreira profissional (ou teremos). Em vista disso formamos uma opinião sobre o que é de fato uma liderança boa ou ruim. O problema é que nossa experiência, por vezes limitada, faz nos criar um perfil equivocado e até se espelhar num nesse perfil comportamental e profissional pensando em ser algo bom.

Em vista disso, ter o privilégio de ouvir a opinião de pessoas reconhecidas no meio executivo das organizações a respeito da qualidade dos líderes de hoje é muito importante, tanto para quem almeja uma posição de liderança em algum lugar no futuro quanto para a auto-avaliação de líderes atuais. Por isso vale a pena ver o que Wong tem a dizer sobre isso.

Robert Wong é chinês naturalizado brasileiro, considerado um dos 200 principais headhunters (caçadores de talentos) do mundo pela revista britânica The Economist deu uma entrevista à Computerworld onde fez críticas a postura de muitos líderes de TI. Separamos aqui alguns trechos que considero chave na entrevista. Os destaques são meus:

O perfil do líder de TI do presente

Wong – Esse profissional precisa conciliar conhecimentos técnicos e comportamentais. O mercado procura pessoas que conheçam muito a respeito de tecnologia, mas que também consigam se relacionar bem com as pessoas. E encontrar esse perfil é uma verdadeira raridade no setor. De forma geral, as pessoas são contratadas por suas competências técnicas e demitidas pelo comportamento pessoal.

Competência x auto-competência

Wong – Uma coisa que tem mudando é a noção de competência. No passado, fomos ensinados que esse termo estava ligado a uma forma de competição. Ou seja, alguém só era considerado competente quando se mostrava melhor do que o outro em alguma coisa. E isso é um conceito muito relacionado à cultura ocidental.
Com o tempo, começa-se a entender que quando as pessoas vencem uma competição elas ficam satisfeitas com os resultados e entram em uma zona de conforto. Assim, existe uma tendência de substituir a competência pelo conceito de autocompetência, que seria a capacidade de não se satisfazer em ser melhor do que o outro e, sim, querer atingir a excelência individual.

Recompensa x inspiração

Wong – De forma geral, erra-se ao utilizar a recompensa para conseguir melhores resultados das equipes. O erro está em atrelar um benefício ou um castigo à obtenção de determinados resultados e achar que a pessoa motivada pelo prêmio ou pelo medo vai correr atrás do objetivo.
Com o tempo, quem age assim começa a entender que isso tem uma vida útil muito curta. Pois da próxima vez que o líder quiser obter determinada performance da equipe ele vai precisar oferecer um prêmio ou um castigo ainda maior.
Esse tipo de motivação pode ser até válido em algumas situações, só que a palavra que faz realmente a diferença para os resultados das pessoas é inspiração. E como o próprio nome diz, isso não depende de fatores externos, deve ser algo que vem de dentro. A forma mais fácil de desencadear isso é ter amor pelo que se faz.

Recomendação aos líderes

Wong – Se eu pudesse dar uma recomendação para o CIO seria: entenda as necessidades, as expectativas e os desejos dos usuários de tecnologia da sua empresa. Para isso, ande pela companhia e procure ouvir as pessoas.
Esse profissional deve entender que ele representa um componente muito estratégico para que as organizações atinjam os resultados. No entanto, falta ao CIO um pouco mais de humildade, generosidade e tolerância.

E você, tem uma visão formada sobre o perfil de um líder? Qual considera o atributo mais importante?

Veja o artigo da ComputerWorld com a entrevista com Wong na íntegra.

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