Atenção: falsificar informações no currículo poderá virar crime

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Quem está acostumado a adicionar algumas “meias-verdades” no seu currículo, ou mesmo mentir na cara-dura (eu mesmo já peguei alguns currículos assim), poderá se complicar futuramente, e entenda-se por se complicar o fato de ser considerado legalmente um criminoso.

É que está tramitando um projeto de lei na Câmara dos Deputados (de autoria de deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT)) que pretende transformar em crime e punir com até dois anos de detenção quem inserir informações falsas no currículo. O deputado justifica com o fato de muita gente mal intencionada obter vantagens na busca de empregos e assim prejudicar terceiros.

O deputado citou até duas situações na esfera pública, veja o trecho do abaixo:

“Sempre existiu quem faça isso. Aqui no Mato Grosso há um desembargador que mudou o registro dele para poder atingir a idade para assumir o cargo de juiz. É uma prática criminosa e alguém precisa cuidar disso”, diz Bezerra.
O deputado lembra um episódio envolvendo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no ano passado. De acordo com uma reportagem publicada pela revista “Piauí”, o currículo de Dilma informava que ela é mestre em teoria econômica e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp (Universidade de Campinas).

A universidade disse à revista que não havia registro de matrícula no mestrado e que o doutorado foi abandonado. Dilma admitiu que o seu currículo no site do ministério estava errado. “Depois foram descobrir que não foi ela, foi um terceiro. Então, pensei em um projeto para punir o terceiro que faz isso e também quem faz para obter vantagem pessoal”, declara Bezerra.

Claro que há outros contra o projeto, como o o advogado Edson Cosac Bortolai, presidente da Comissão Permanente de Estágio e Exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que considera a medida exagerada e complementa que “o próprio mercado pune o mentiroso”.

Tem muita gente que não hesita um segundo em colocar informações falsas, seja aumentar anos de experiência profissional , citar cargos que nunca ocupou a até mentir sobre empresas onde nunca trabalhou e universidades top de linha onde nunca pisou o pé. Tudo “se justifica” pela necessidade de sustentar a família e assim por diante. Aliás, não é por isso que ladrão rouba? – tenho filhos para criar – diz ele. Esta é a crise de ética.

Ah sim, claro que o mercado pune, como disse o advogado. Mas nem sempre. Processos seletivos são prejudicados pelo grande número de currículos para análise quando poucos do bolo são verdadeiros,  consultorias inexcrupulosas mandam seus consultores mal-formados (devido ao baixo custo) para o cliente. Fatos como esse desacreditam um documento – o currículo – que deveria ser confiável. O resultado é que, no meio de tanto papel fraldado, os bons e honestos profissionais, representados por seus currículos, se perdem no meio de tanto lixo e não são percebidos. Ruim para os profissionais, ruim para as empresas, ruim para a economia do país.

Mas as empresas são somente vítimas nesse caso? Absolutamente. Me responda você: Quando foi contratado pela seu empregador, lhe pediram em alguma fase do processo de contratação cópia de diploma e outros documentos/referências que certificam sua formação e experiência? No meu caso, 20% das empresas por onde passei me pediram algo desse tipo.

Por essas e outras, sou a favor de que as pessoas sejam responsáveis pelo que escrevem em seu currículo e até respondam por crime quando for o caso, pois é evidente que há uma série de prejuízos para todas as partes envolvidas. E você? Qual sua opinião?

Artigo com base na notícia da Folha de São Paulo

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Uma resposta

  1. Vinicius

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